31 agosto 2010

À Vida ! E Com Sal Por Favor ...

Este aqui é para Nós.
Nós que choramos e sorrimos tão intensamente que, para os outros, nos ver fazendo qualquer uma das duas coisas, deve parecer no mínimo um tanto quanto fingido e exagerado.
Mas cuidado crianças.
É um erro fatal confundir exagero com saleiro, e muito menos com ...
(Tcham tcham tcham tchaammm “Beethoven”! )
cinzeiro. 
Pois conosco será sempre assim ... Vívido !
E vivido também! 
Lógico! Sempre!
E Deus que me livre caso fosse diferente (Deus com D maiúsculo dessa vez) ...
Gosto é disso ...
Da sublime sensação de sentir a sensação.
Da mudança rápida de humor.
Da trágica reviravolta de opiniões.
Das esbravejadas palavras cuspidas ao ar ...
Da reinvenção de si mesmo !
E depois o silêncio do quarto ...
Para nós, a vida será eternamente como uma música de jazz tocada em um funeral.
Não qualquer música meu caro ...
Um jazz bem alegre e sofisticado, para que o funeral não caia na tentação de ficar monótono ...
E para o resto, deixo um pouco de Quintana:
“Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro”
E passem-me o sal por favor ...

31 julho 2010

Os Conjuntos Fazem Minha Parte

OVO
A questão não é o formato. É estar dentro ou fora.
DETALHES
Só são detalhes para a terceira pessoa e lógico, se você não está apaixonado.
AMOR
É a tristeza fantasiada para o carnaval.
MORTE
Morte não é o contrário de vida.
Morte é o contrário de se fantasiar para o carnaval.
Qualquer carnaval que seja.
Mesmo aqueles em que fingimos fantasiar-se ...
CÉU
Obrigado por ter chorado por mim ontem, não estava aguentando mais.
SOLIDÃO
Solidão não é querer ir embora por razão nenhuma, para qualquer lugar.
Solidão é querer ir embora por razão nenhuma, para algum lugar.
POESIA
O bom da poesia é que ela existe mesmo quando não há vontade de existir.
DESESPERO
Desespero é procurar algo que você sabe onde está, mas sabe também que não irá encontrar.


01 junho 2010

Poema Sobre o Nada

E lá vou eu de novo, dando a cara a tapa, mergulhando lá no fundo ...
Cavando ...
Procurando meu tesouro.
E mais uma vez começo pelo começo, sem saber nem mesmo se escrevo ou se converso.
Sem saber do que falar, mas exatamente por isso, falando comigo mesmo.
Conversa calma e amigável.
A mão, a boca.
Papel, eu mesmo.
Eu, o papel.
Escrever é de fato um ato solitário, mas essas palavras que vão ficando pelo caminho são como migalhas de pão esperando serem encontradas, interpretadas ...
Pode ser só esperança, mas o que seríamos nós sem ela?
De qualquer maneira mesmo que eu quisesse não poderia ser diferente.
Durante anos procurei um lugar, e aqui neste lugar me encontrei.
Pode ler de novo e acreditar, não escrevi sobre coisa alguma.
Mas escrevi.
E no fundo acho que é só o que importa.
Então até o próximo poema sobre o nada ...
Se damos muito valor a tudo, deve ser por isso que o nada é nada.
Tudo é muito chato, tudo é muito igual.
Eu quero é mais nada.

11 maio 2010

Conquiste

Conquiste pelo sorriso e não pela bebida
Transforme pelo carinho e não pelo seu ego
Conforte pelo abraço e não pelo ditado
Contemple pela alegria e não pela beleza
Convide pela amizade e não pela luxúria
Sorria pela vontade e não pela obrigação
Beije pelo tesão e não pelo pensamento
Chore por amor e não pelo sofrimento
Apaixone-se pelo cheiro e não pelo dinheiro

30 abril 2010

Aonde Ninguém Vê

Nesse post um tanto diferenciado, resolvi colocar uma música minha composta em 2004.
Essa música entretanto foi escrita como um poema, e acabei colocando uma melodia depois.
Inauguro assim a rima, nesse blog.
Um grande Abraço.
Thomás

AONDE NINGUÉM VÊ
Quero ir embora
Pra entender porque eu sou assim
Pra saber separar 
O amor que há dentro de mim
Das mentiras, das palavras
Da visão de uma vida perfeita
Das promessas, do carinho
Que um dia eu fiz pra você
Qualquer dia eu separo
O passado
Vou jogá-lo aonde ninguém vê 
Não importa o que eu faça
Eu me perco no tempo em algum ...
Lugar ...
As palavras ainda são mentiras
E os carinhos ainda são promessas
Estou num lugar distante
Onde ninguém vai me achar
Qualquer dia eu separo
O passado
Vou jogá-lo aonde ninguém vê 
Não importa o que eu faça
Eu me perco no tempo em você ....
Aonde ninguém vê ...
Aonde ninguém vê ...

27 abril 2010

Louco

Você está certo.
Porque todo mundo sempre acha que está certo.
Essa é a regra, fora casos onde todos estão errados, achando que estão certos.
Como em manicômios por exemplo (onde diga-se de passagem acho que estão certos).
Loucos, tão loucos, que acham que são Jesus.
Ora!
E Jesus?
Porque não podia ser mais um desses loucos achando que era ele próprio?
Para mim, ele era o mais louco de todos.
Mais louco até que eu...
Morreu por mim, dizem vocês.
Sem ao menos me conhecer.
Louco.
No meu ponto minúsculo de vista.
Ainda está certo?
Ou eu estou certo?
Confuso?
Perfeito.
Agora está certo. 

13 abril 2010

Escute

“Escute”
Você ouve a palavra ...
Mas a desconhece,
Pois sinceramente não quer escutar ...
“Estou indo embora”
E como uma tradução mal feita de um livro antigo você entende “vá se deitar, pois sua força acabou”.
Sua alma acabou, mas não sabe porque, não consegue entender, não consegue escutar.
“Nunca mais”
E essas duas palavras te acertam como um trem descarrilhado. 
Agora você entende, agora você percebe, agora você escuta ...
Quem dera fosse apenas forte, mas é pior, é real.
Só há um problema.
Para você não pode ser nunca, pois nunca, jamais.
“Esqueça”
Mas não há como, e talvez nunca haverá.
Pois já é parte de você.
Só que agora não te pertence mais, sua parte está por aí, em algum sonho distante.
E só há uma coisa a fazer ...
Esperar a palavra ...
Aquela que faz o Mundo girar.
Não importa quanto tempo leve.
“Será?”
“Talvez”
E é só isso que move o destino.
Pois se tivéssemos certeza de tudo, realmente perderíamos aquilo que nos torna humanos.
“Será?”
“Com certeza”.

08 abril 2010

Sentir Primeiro

Abro espaço agora para meu grande amigo, Mario Quintana.

O poema fala por si só.
SENTIR PRIMEIRO
Sentir primeiro, pensar depois 
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois
Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois
Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois.

24 março 2010

Detalhes

Poesia é enxergar detalhes, não necessariamente mostrá-los.
Quase nada está na vitrine, e só a força de enxergar já me cansa por cinco vidas.
Por isso não me venha falar de má vontade.
Porque se pudesse nascer por todo mundo, também não o faria.
É entrega demais.
É esperar demais, de mim.

23 março 2010

Pensamento

Um dia, tenho certeza, conseguirão provar que pensar faz mal. Mas enquanto isso ...
Apesar da gramática insistir, pensamento não é uma palavra.
Pensar talvez seja uma ação, um verbo, mas na minha cabeça nem isso faz sentido.
Na verdade um pensamento traduzido em palavras é nada menos que uma mentira.
Mentira.
Se fosse um poeta, um pensamento seria dor.
Eu teria dito matéria-prima mas nem eu conseguiria ser tão mentiroso.
Se fosse uma língua, um pensamento seria no máximo a minha língua, a qual ninguém mais possui. De fato, outra mentira.
Aposto que nem do dicionário conseguiria tirar alguma conclusão (até porque não há nada a ser concluído) sobre o que seria essa intenção de materializar correntes elétricas.
Intenção ...
É isso!
Pensamento é minha intenção de querer. Nossa intenção de explicar.
Portanto desculpe-me se não me fiz por entender, e muito menos quis.
É tudo ilusão.
É tudo ilusão ...

17 março 2010

Vida Jogada

Notei hoje meu quarto completamente desarrumado e não pude deixar de pensar ...
Talvez esteja vivendo mais ...
Talvez esteja vivendo a mais ...
Mas talvez esteja vivendo ...
UFA!
Afinal, viver talvez seja exatamente desesperar-se.
Desespero-me e me desarrumo.
Desespero-me e começo a me importar ...
A me contorcer ...
A me enxergar.
No desespero do meu quarto não pude deixar de notar ...
Vivo notando ...
Vivo a pesar ...
Deveria é jogar minha vida para o ar.

Expor minhas feridas,
Bagunçar minhas ideias,
Esparramar minhas palavras ...
Não ter medo de me misturar.
Talvez uma boa vida seja mesmo jogada,
Atrapalhada,
Confusa,
Misturada.

15 março 2010

Atores e Atrizes

Algumas pessoas ainda teimam em achar que suas vidas não são reais,
Que suas vidas são apenas histórias extraídas de um bom livro de capa dura.
As pessoas se tornam então personagens. Os anos apenas meros capítulos.
Agem como se houvesse uma trama maior.
Teimam em achar um final feliz.
O ser humano é incoerente, já dizia um amigo meu.
Ao pagarmos com realidade, queremos de troco fantasia.
E a frustração não há quem possa.
Eu era assim, mas hoje estou só.
Solitário como nunca, e como sempre. Como um prisioneiro preso numa solitária prisão.
Pertenço ao intervalo do que posso ser e do que eu quero ser.
Completamente só.
Mas como posso eu estar só?
Me respondo.
Meu personagem tem tudo que sempre quis ...
Mas eu, o da vida real, de tanta ficção acabei ficando sem ar.
Atores e atrizes por favor abandonem seus papéis ...
Não há tempo (que bom seria se houvesse) para atuações.
O Mundo roda como a roda de uma bicicleta velha, como uma montanha-russa enferrujada.
Não há vitrine, nem palco. 
Nem páginas, nem telas.
Um monólogo para você mesmo. Seu único espectador.
Nossas vidas são reais.

09 março 2010

Conselho

Se me permitem, e aposto que não, deixem-me abusar do que se conhece por eu-lírico.
Vida minha, estou com medo.
Apesar de meu descanso nobre e longo durante eras antes de você, preocupo-me se não está facilitando demais para os demônios de seu interior.
Nunca lhe ocorreu, mas ingratidões profundas e preocupações extraordinárias podem me afetar.
Apesar de achar burramente que não me conhecerá, pois “não passo de um simples navio naufragando em um oceano qualquer”, temos nossas ligações, e de suas atitudes tiro nossas conclusões.
Tente lembrar que de escolhas eu vivo, de medos e insônias me alimento, mas que de amargura me preencho. Não de coisa boa, você já sabe do que.
Quer descansar?
Então me escute.
Trate de se apurar. Inspire com calma e transpire com segurança.
Tenha leveza.
Boa passagem.
Etrom

06 março 2010

Eu contra o Mundo

Nunca obtive resposta, tampouco fiz alguma pergunta.
Do que adianta eu me doar ao Mundo se nem me doo a ti.
Corra agora!
Vá!
Porque daqui nada tirarás.
Somos como uma planta carnívora,
Eu e o Mundo.
A aparência delicada só antecede o ataque.
E que ataque!
Não há como escapar.
Há algum tempo atrás, resolvi fazer uma aposta.
Eu contra o Mundo.
Quem perdesse ganharia a solidão,
O não entendimento.
A falta de doação.
Perdi.
Nasci.

04 março 2010

Liberdade

(Com um dedilhado de provocação... Até a mim mesmo)

Música?
Com certeza que é mais fácil.
Aqui é o paraíso dos perversos,
Uma terra sem fronteiras.
Sem proteção de solos e melodias,
Sem enganação de efeitos calculáveis.

Aqui é onde nos encontramos,
Cara a cara.
Sem guitarras, sem distorções. 
Não é para qualquer um,
Aqui é a liberdade.
“ Everybody had a hard year...” 

25 fevereiro 2010

Tribunal

A tarde, como a noite, cai.
Não há diferença, pois há semelhança suficiente entre coisas diferentes,
Pelo menos para mim.
Como meu pensamento e o pensamento em si.
Diferem-se só pela simplicidade do meu julgamento.
Julgamento traiçoeiro.
Julgamento próprio, que vê em outro, seus próprios réus.
Acuso-me não sem refletir, mas pelo menos sem notar.
Coitados seríamos nós se me pusesse a coordenar meu próprio tribunal.
Nobreza executada.
Luxúria enaltecida.
Ninguém engana a mim.
Especialmente ninguém próximo.
Só outros.
Quase todos,
Incluindo eu mesmo.
Eu mesmo da verdade tão sem rumo.
Eu mesmo tão pirado e louco de prazer.
Tento resistir desde que me desconheço.
Mas onde me perco é quando me encontro,
E adoro me encontrar.
É hipocrisia recém-nascida.
É hipocrisia hospitalar.

22 fevereiro 2010

Palavras

Acredito que palavras, 
Algumas boas palavras, 
Serão sempre
Apenas,
Algumas boas palavras.
Entretanto,
Lê-las será sempre,
Talvez,
Um bom caminho.
Para qualquer lugar.
Possuo um livro dentro de mim, isso é certeza. 
Já que digo, digo então:
Tenho é um milhão.
Nunca quis, nem rimar.
Agora e sempre, é na vontade.
Na minha vontade de esvaziar.
Se algum dia lhe faltarem as palavras, tenha certeza de que elas estiveram por aqui.
Não tenho medo. Como poderia eu ter medo se me falta agora a palavra?
O medo ficou aqui.
Medo.
Monto.
Desmonto.
Todo.
Não há nada de especial. Garanto.
Apenas palavras. 
Como se chacoalhassem todos os livros de uma só vez,
Sinto-as como abelhas em um enxame.
Demoro. Percebo. 
Não.
Sim.
Estou lá.
Nelas.

05 fevereiro 2010

A Casa

Adeus.

Só ouço de longe,
viro as costas para ela.
E muito mais leve do que chegara.
Fujo já muito mais tarde do que deveria,
da minha prisão,
da minha agonia sem prazer. 
Saio do meu próprio eu.
Descarrego todo meu peso em palavras.
Obedeço à minha vivência.
Olho em volta.
Mas choro por tentar.
Tento.
Sinto lágrimas.
É muito forte.
Eu quero.
Mas é preciso.
Não lembro o porquê.
Não lembro onde estou.
Entro na porta e saio.
Organizo minha imaginação.
Não há volta.
A escolha, afinal, foi minha.
Devo entrar.
Perguntam-me se quero entrar.
Como depressões de carne.
Como sensações horríveis te olhando.
São geladas.
Cumprimento-as.
Elas tinham que estar lá.
Não há volta.
Vou-me arrastando.
Dobro-me.
Meus joelhos já não me pertencem.
Mas meus olhos não se desfocam mais.
Quero olhar em volta.
Fria. Porém irresistível.
Ela está lá.
Avisto-a.
Viro a segunda esquerda.
Ando um pouco.
Saio do metrô.
Já era hora.
Vejo a saída.
Cheiro de repressão.
Não de pessoas.
Quase não suporto o cheiro repugnante do ar.
O cheiro toma conta.
Sinto o ar pesado das indignações.
Pego o trem.

Odeio degraus. 
Infinitos e tortos degraus.
Um por um.
Desço-os.
Entro. 
Mas, já quase sem freio,
vejo a estação.
Ando mais que vagarosamente.
Ando me forçando a parar.
Não posso fugir do que sou.
Mas é tarde demais.
Elaboro um plano.
Hoje não.
Saio de casa.