21 dezembro 2016

Porto

A vida pode ser leve
Por mais que seja menina
E por mais que possa ser breve

É o acaso que faz a sorte?
Como fomos nos encontrar?
Que coisa repentina e maluca
Que força há neste lugar!

Uma mímica, um sorriso
Muito pouco pra justificar
Mas cada segundo que passa 
Encho os olhos pra te falar

Vai fazer falta menina,
Não sei bem te explicar,
Mas me sinto privilegiado
Pois cada estrela têm seu mar

Volte feliz pro seu porto,
Mas nunca atraque por lá.
A vida é breve menina,
Um sopro...

E já se atravessou o mar.

Tho Benite

15/12/2016

11 maio 2016

2001

Poemas escritos em 2001 por um garoto que começava o seu caminho...
Acho poemas antigos, me acho e volto a pensar.
Quem será que estava lá?

Pensamento


O que eu tenho não importa mais
O que importa é quem fui, quem sou e quem nunca serei jamais
Me indago todos os dias se devo me preocupar
Depois chego no fim da vida e percebo que não vivi
Pois nunca parei de pensar


As vezes temos que largar a razão
Ela não pode ser mais forte que a emoção
Nunca pare de pensar
Mas só pense naquilo que seu coração mandar


Se a vida não tem mais sentido
Não puxe as rédeas do coração
É melhor deixá-lo livremente
Buscando uma nova emoção


TB
2001


Não Vale a Pena


O tempo passa cada vez mais rápido
Já não sei o que fazer
Uns dizem pra eu sonhar
Outros dizem pra não morrer


A preocupação sobrevoa
Sobrevoa minha mente
Que é para eu me tocar
E não morrer de repente


Morrer agora têm mais de um sentido
É dor, preocupação e febre
Falhar é o maior medo
Não dá pra ficar alegre


Vivo intensamente os pequenos momentos de luz
Não posso, não devo e não quero cair
Neste túnel que me seduz


TB
2001

06 maio 2016

Ter Amigos

Pessoas dizem: "Nossa como você mudou!” 
Ou então: "Você costumava ser muito diferente. Éramos melhores amigos."

Sim, éramos.

E não é porquê eu mudei (esse realmente seria o último dos problemas).
Tudo muda o tempo todo. Tudo.
Eu naturalmente iria mudar.

Mas a amizade não é uma estátua na qual podemos nos agarrar.
A amizade é um rio...

Os verdadeiros amigos o percorrem junto com você.
Eles nem mesmo se lembram o quão diferente era a fonte do rio. Não importa.
Eles só querem é ter o prazer de navegá-lo com você.

Ter amigos não é ter poucos amigos.
Ter amigos não é ter velhos amigos.

Ter amigos é percorrer o rio... 
Nadar, mergulhar e desaguar no mar.

THOMÁS BENITE

2013

09 março 2016

2013


5 Anos se passaram desde lá.

Austrália 2007.

O melhor ano da minha vida.

E infelizmente sinto que de certa maneira perdi grande parte da sensação de liberdade que tive lá.

Não da liberdade em si.
Mas da sensação dela.

Agora em 2013 após muita reflexão digo que é isso que precisamos.

Liberdade.

Para mim 2013 deve e será igual a 2007 pelo menos de alma e coração.

Espirito aventureiro e moleque. Mesmo que com responsabilidades em minhas costas.

É preciso se sentir livre.
É preciso buscar.
Mesmo que dentro de nós ao invés de lá fora.

A pergunta não é o que amamos fazer.

A pergunta é: O que amamos sentir?

Um bom ano para vocês!

Vai.

TB
2013

Not About

Life's not about living forever.
Life's about living moments that will stay forever in our hearts,
and in the hearts of those who lived it with us.

TB

09 abril 2015

Cemitério e Maio

        De todas as possíveis memórias que poderiam interromper-me a rotina do esquecimento, acabo de me lembrar daquele dia, daquele “sonho”. No cemitério. 
        Tão logo me bateu uma profunda dor. Aquelas dores de quem ama. Uma nostalgia tão grande da vida quanto a que senti no dia em que fomos lá.
        Não escrevo em sua homenagem hoje, neste dia tão especial de maio. Foi antes. Mas vou contar agora. Não sei porquê, mas é necessário.
        Sempre há para todo mundo àqueles dias que ficarão para sempre. E naquela tarde eu soube disso. Em seus olhos eu soube disso. Soube que àquele dia entre os mortos seria um desses para mim.
        De toda expectativa que criei ao pensar. “Agora vai realmente achar que sou louco”. E dizer. “Sempre passei por este cemitério quando criança, e vendo-o agora, anos depois, fiquei com vontade de entrar”. Receber a resposta mais simples e doce do mundo mudou tudo pra mim. “Você quer? Então vamos entrar”.
        Nem os mais bem graduados psicólogos desse mundo, os doutores, pais, amigos, ninguém poderia me entender naquele momento como você. Talvez porque não tenha precisado me entender, e sim entender a si própria. Uma menina que também tinha muito a descobrir. Uma menina aventureira. Pois é isso que você é. Uma viajante entre o limbo do pré-nascimento e o limbo pós morte.
        Eu estava dividido naqueles dias. Estava doente. Marginal. Entrei ali com a minha cura. Procurando apenas um lugar para focalizar minha energia. Enquanto você só me seguia. Ou eu seguia você?
        Bailamos pelas ruazinhas, estátuas e igrejinhas, como se realmente estivéssemos em um filme em preto e branco. Como meu rosto. Vivo e morto. E ali, ao mesmo tempo em que olhava seu sorriso e segurava sua mão, te mostrava no mais mórbido e contraído gesto qual era minha preferência de caixão.
        Me senti em minha infância, me senti mais acordado. Me senti sem obrigação ou compromisso. Me senti conectado ao meu pai. Me senti livre. Completamente livre. Como se pudesse voar. Me senti mais perto de meus ancestrais. Mais perto da vida e da verdade.
        Descobri na verdade que tenho muitos defeitos. E a outra é que isso nunca irá importar.
        A cada passo, risada, ou beijo percebia que estava pronto para morrer ali, com você.
        Mais tarde fiquei pensando se sentiram nossa presença.
        Fiquei pensando se se arrependiam de algo. Ou se nós os fizermos lembrar de algo muito bom que haviam vivido. Será que vivem ainda?
        Sabe, fiquei a pensar.
        Quantas vezes nesses últimos anos da minha vida não fui nada mais que um resmungão. E sem razão.
        Deveria me sentir feliz e agradecido por em algum ponto de minha vida ter encontrado algo pelo qual valeu a pena ter vivido. Algo pelo qual morreria em paz.
        Alguns têm mais tempo. Sei que o nosso foi curto, mas com certeza não foi em vão e muito menos nos deixou para sempre. 
        Se não deu certo nesta vida tentaremos de novo em outra.
        E nunca esquecerei isso.
        Obrigado por aquele dia. 


TB
31/05/2012

13 julho 2014

País do Futebol

Somos, sim senhor. E sempre seremos.
Porquê futebol não se resume apenas à uma seleção.
O futebol está nos campos de pelada das favelas.
O ritmo do drible está nas batidas da nossa música.
Do samba, pagode, bossa nova, axé, forró ...
O gingado vem da capoeira. Da libertação.

Escolha 5 pessoas aleatórias de qualquer país e 5 do brasil e coloquem em um campo.
Dificilmente iremos perder.

Camisa 10.
Caneta.
Chapéu.
Inventamos isso aqui.
Fomos copiados, mas não tem problema.
Somos criativos como ninguém. E é por isso que iremos nos reinventar.

Somos sofredores por natureza, assim como é sofrido um jogo do futebol.
Uma bola na trave que poderia mudar o jogo.
Uma pane geral.
O sentimento que deveria ser de alegria e força por jogar em casa transformado em medo de perder.

Tudo é aprendizado.
E me incluo nesta parcela de culpa.

Precisamos ir mais aos estádios.
Precisamos criticar menos.
Precisamos respeitar mais.
Precisamos tentar aprender mais. Sempre.
Precisamos ser mais unidos.
Precisamos votar melhor.
Precisamos acreditar.

Mas o principal de tudo,
Precisamos confiar mais em nós mesmos!

Somos sim o país do futebol!
Porquê futebol é alegria. E somos os melhores nisso.
Por isso que cada estrangeiro que veio ao Brasil não quer mais ir embora.

Nós vamos arrumar esse meio campo.
Vamos exorcizar a CBF.
Acalmar a molecada.
Achar novos matadores.
E nos consagrar novamente.

No drible.
Na técnica.
Como sempre foi.

Porquê só nós temos a Jules Rimet.
Porquê só nós somos Penta.
E porquê só nós sabemos sambar.

Brasil,
Erga essa cabeça mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Pode acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar!

Eu te amo!
Obrigado por tudo!